O exemplo da Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau
A ovelha da raça Serra da Estrela, a principal raça ovina leiteira em Portugal, produz um leite de excecional qualidade a partir do qual a sabedoria das gentes serranas criou um queijo com mais de 1300 anos de História e hoje com Denominação de Origem Protegida. O atual número reduzido de ovelhas é uma consequência do abandono da profissão pela falta de apoios, pela inércia do setor e pela subvalorização do potencial produtivo desta raça ovina.
Em 2015, com a criação da Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau, passámos a integrar Queijo Serra da Estrela DOP nos nossos pastéis, absorvendo hoje dois terços da sua produção. A escala do projeto permitiu-nos estabelecer uma parceria com a Estrelacoop, que reúne as 26 queijarias certificadas, garantindo uma remuneração justa para toda a cadeia de valor, das queijeiras aos pastores. Esta iniciativa permitiu posicionar o preço do litro de leite de ovelha da Serra da Estrela como o mais caro do mundo, finalmente proporcional à sua extraordinária qualidade.
Em 2021 reforçámos o compromisso com os pastores da Serra da Estrela ao assumir a compra anual da totalidade da lã produzida na região demarcada. Um recurso que antes era vendido a preços simbólicos, abaixo do custo da tosquia, passou a ser adquirido 900% acima desse valor, transformando-se numa verdadeira fonte de rendimento. Com a lã lançámos uma história contada no fio do tempo: a arte dos tapetes de Arraiolos produzidos exclusivamente com lã de Ovelha Serra da Estrela.
Já em 2025, na Rua das Flores, no Porto, este projeto materializa-se num espaço visitável que conta a história das montanhas e das mãos que as cuidam. No rés-do-chão, o Pastel de Bacalhau com Queijo Serra da Estrela DOP é saboreado com Vinho do Porto, num cenário revestido por milhares de pompons de lã. O percurso conduz ao piso superior, onde 12 bordadeiras trabalham ao vivo, criando tapetes em ponto de Arraiolos com lã de Ovelha Serra da Estrela e convidando os visitantes a sentarem-se ao seu lado para conhecer de perto esta arte ancestral. Este espaço é um manifesto vivo: dá rosto aos pastores, voz às bordadeiras, dignidade aos ofícios e futuro a tradições que há séculos moldam a identidade do país.

